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VOCÊ É BEM OU MAL EDUCADO?

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Inteligências MúltiplasLEAD

O conceito de “mal educado” ou de “falta de educação” está muito relacionado a padrões sócio-culturais estabelecidos na família,sociedade e regiões. Códigos e etiquetas dão o tom do que é e não é socialmente aceito. Costumes baseados em bom senso,estética, higiene, convivência etc ditam as “regras” para rotular uma pessoa de bem ou mal educada.Falar com a boca cheia, tirar meleca do nariz, responder grosseiramente aos pais, trajar-se inadequadamente conforme “protocolos” exigidos, são exemplos que costumeiramente podem taxar uma pessoa de “mal educada”.

As práticas não aceitas como “corretas” podem variar no tempo e no espaço. Deixar aos mais velhos o privilégio de sentarem primeiro à mesa, não “raspar” todo o prato de comida,não falar palavrões, hoje são exemplos que nem sempre e em todo lugar se consideram “falta de educação”. Evidente que ,em muitos casos,estabelece-se choque entre gerações que avaliam diferentemente tais práticas.

Tudo isso dito para abordar sob outro prisma o conceito de “falta de educação”. É o que segue.

EDUCAÇÃO E INTELIGÊNCIA

À luz dos estudos mais recentes sobre Inteligência, sabe-se que “inteligência se aprende, se desenvolve”. Alguém nasce com potencial (geneticamente estabelecido) para desenvolver certo “tipo de inteligência” e pela “Educação” pode chegar ao seu apogeu. Se tenho X de potencial para a “inteligência musical”, bem educado posso atingir esse X; “mal educado”, posso nem chegar a tocar qualquer instrumento musical nem a cantar nem a compor razoavelmente. Nesse caso, podemos dizer que fui “mal educado musicalmente”.

Segundo as teorias de Inteligências Múltiplas” (H.Gardner,em seu livro “Estruturas da Mente”, enumera  6 tipos de inteligência), é muito provável que em nem todas eu tenha sido “bem educado”. Um parêntese: para ser “bem educado”, precisa-se de condições como motivação, estímulo, bons professores, perseverança,começar a “aprender” cedo etc. Imaginem,então, quantos “gênios” (com grande potencial para alguma(s) das inteligências) se perdem pelos caminhos da vida por falta dessas condições.

É necessário estabelecer o conceito de “bem e mal educado” agora considerando o atual conhecimento sobre “inteligências”.Da mesma forma, há que considerar que o próprio conceito de “pessoa inteligente” foi ampliado. Implica questionar: fulano é inteligente mas em que tipo(s) de inteligência?

EINSTEIN , DA VINCI E PELÉ

Só para citar 3 exemplos de pessoas consideradas gênios.Cada uma em inteligências específicas. Einstein, sem dúvida, foi gênio,pelo menos em “inteligência lógico-matemática”. Da Vinci, gênio em “inteligência espacial”.

Pelé, “atleta do século”, “rei do futebol”, atingiu altíssimo nível em “inteligência corporal- cinestésica”. “A capacidade do atleta de sobressair em graça, poder, velocidade,precisão e trabalho em equipe não apenas fornece uma fonte de prazer para o próprio atleta mas também serve, para incontáveis observadores,como um meio de entretenimento, estímulo e liberação” (Howard Gardner). E ainda sobre um atleta genial:” capacidade de jogar a bola exatamente onde se quer (…) há astúcia- o conhecimento que vem com a experiência, o poder analítico, a observação hábil e a desenvoltura”.

O que Gardner descreve sobre um notável jogador de hóquei,adaptado o texto, vale para Pelé:

“De frente para o goleiro, olho no olho,retém a bola, perturbando o ritmo do jogo e a antecipação do goleiro…libera um passe antes que pareça pronto para fazê-lo, costurando-o através de um labirinto de jogadores que estão a um toque atrás dele…É como se fosse um truque de prestidigitação . Subitamente um passe para ninguém. Nada disso: logo um companheiro aparece para receber a bola.Não é sorte.Pelos movimentos prováveis dos companheiros mais próximos,ele sabe exatamente onde o seu colega deveria estar” (Vide famoso quarto gol de Carlos Alberto com passe de Pelé, na decisão da Copa -1970 no México- Brasil 4X1 Itália).

Convenhamos, jogadores comuns (inteligência mediana) são incapazes dessas criativas “manobras”.

Pelé tinha “patrimônio genético” para desenvolver esta específica inteligência em alto nível. Pelé foi “bem educado” para esse fim: em família,o estímulo do pai, excelente jogador de futebol; em Bauru, a motivação, o estímulo e os bons professores dos times de base; depois, a oportunidade, o “olheiro”, caçador de talentos, ex-jogador Waldemar de Brito, que o leva para os grandes centros.

Importante esclarecer:Gênio em uma inteligência não significa “bem educado” em outras.

INTELIGÊNCIAS PESSOAIS OU EMOCIONAIS

Eis um campo de grande aplicabilidade para as empresas.

O que Gardner chama de “inteligências pessoais”, também chamadas de “emocionais”, pode ser desdobrado (segundo outros estudiosos no assunto) em “inteligências intra-pessoais”(autoconhecimento, autocontrole e automotivação) e “inteligências inter-pessoais” (empatia e relacionamento).

Aqui ,analogamente,também se pode aplicar o conceito de “bem e mal educado”. E também inferir que o “patrimônio genético” garante um certo “potencial” a ser desenvolvido para se atingir um nível X nessas inteligências.

Assim,podemos dizer que uma pessoa,por exemplo, não foi “bem educada em autocontrole”,mesmo tendo potencial para sê-lo.Mas que poderá ,também depois de adulta,desenvolver-se nessa “modalidade”. O desenvolvimento em adultos é mais complicado.Requer premissas / condições/métodos específicos, tratados pelos estudiosos em “educação de adultos”.

É comum deparar-se nas organizações com chefes que perdem o controle a todo momento, não resistindo a opiniões divergentes de pares e “subordinados” (eta expressão imprópria!). Há muitos que se tornam “intratáveis”, pondo em risco qualquer política bem intencionada de gestão de pessoas.

Se uma empresa quiser de fato “humanizar o trabalho” há que adotar novas “medidas” para escolher seus líderes. Certamente a “inteligência emocional” será fundamental.

Os “bem educados” em autoconhecimento, autocontrole,automotivação,empatia e relacionamento interpessoal terão maiores chances de se tornarem “grandes líderes”.

Os estudos da neurociência, especificamente os conhecimentos sobre a inteligência humana, não chegaram ao fim.Há naturalmente muitas coisas a se conhecer, esclarecer,aprofundar e até descobrir. O que se conhece,no entanto, já nos oferece munição suficiente para,no âmbito empresarial,aprimorarmos a gestão das pessoas, praticando a ansiada “gestão humanizada”.

 

 

 

 

 

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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