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UMA BOA GESTÃO INIBE A CORRUPÇÃO

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LEAD

Você estará pensando: “nada acaba com a corrupção”. E é verdade .Em todos os países há corrupção. A punição rigorosa, no entanto, a reduz a níveis -digamos-toleráveis. Desvios de conduta do ser humano ocorrerão sempre. O descontrole, contudo, acontece quando a corrupção atinge “dimensão endêmica”, fazendo parte da “cultura” de um povo ou, exagerando menos, de “classes políticas” ou de partes significativas de uma sociedade.
Deixarei essas questões para análises de cientistas sociais e para a polícia ou promotores de justiça.
Pretendo focar no aspecto “BOA GESTÃO” como fator concorrente à inibição da corrupção nas empresas.

BOA GESTÃO DEMANDA “BONS GESTORES”

A primeira condição para se ter uma “boa gestão” nas empresas é que elas tenham obviamente “bons gestores”. E aí entram preliminarmente os critérios de seleção, promoção dos mais capazes. Tudo dará errado se os critérios para ocupação dos cargos de diretoria só se pautarem por ingerência política ou de protecionismo que beneficiem apaniguados, parentes ou protegidos por qualquer valor afetivo. Sem que sejam consideradas as competências para o exercício dos cargos:preparo técnico e capacidade de liderança. Sem que se considerem os valores da pessoa compatíveis com os valores ( éticos) da empresa e outras questões não menos importantes como motivação para o trabalho, identificação com a empresa, potencial para desenvolvimento na organização, dedicação etc etc.
Um vice-presidente ou um diretor que caiam de paraquedas na diretoria de uma empresa causam um dano inestimável à sua governança, principalmente quando investidos de significativas alçadas decisórias.A convivência com os outros fica difícil, pois ninguém quer ou pode contrariar aquele que foi indicado pelo “homem” ( dono, acionista,político e outros poderosos).

BOA GOVERNANÇA IMPLICA SISTEMA CONSISTENTE DE GESTÃO

Independentemente dos colegiados exigidos por lei para as sociedades anônimas, Conselho Administrativo e Conselho Fiscal,que devem exercer “de fato” e “de direito” suas funções, toda empresa deve possuir uma eficiente e eficaz “estrutura para gestão”. Essa “estrutura” se constitui de comitês ou colegiados com funções específicas (Ex. comitê de crédito, comitê de marketing, comitê de RH, comitê de inovação etc); de sistemas de gestão ( Ex. indicadores de produtividade e de qualidade, indicadores de vendas, satisfação dos funcionários e dos clientes etc); políticas, processos, padrões, normas e área de “compliance” para checar a adequação às políticas e normas; código de ética; mecanismos de reuniões periódicas etc.

Evidente que o tamanho da empresa e sua estrutura organizacional irão definir o tamanho dessa “estrutura para gestão”. Nas organizações de menor porte, uma boa estrutura organizacional e um bom sistema de reuniões para conexão dos diversos setores e para apreciação dos indicadores de gestão estabelecidos poderá ser suficiente.

Fundamental é que as diversas áreas se conectem; se reúnam em torno de uma mesa para destrinchar indicadores da semana, do mês ,do trimestre ; que se debrucem sobre informações relevantes emitidas, por exemplo, pela Auditoria Interna e Externa; que dediquem tempo a avaliar resultados,práticas e políticas; que discutam integradamente o planejamento de curto, médio e longo prazos; que parem para analisar as pessoas, os talentos, os desempenhos.

Muitas empresas dizem que possuem tudo isso. É necessário, porém, que essas coisas funcionem de fato. Que não sejam só estruturas pró-forma, para assinar relatórios sem a leitura cuidadosa recomendada. Que não sejam iniciativas isoladas de algumas áreas. Que isso, em outro extremo, não se transforme em uma burocracia ingerenciável. Que haja efetividade em tudo que se cria na empresa em prol de sua governança.

UM BOM SISTEMA DE GESTÃO EMITE ALERTAS

Um sistema efetivo, como esse exemplificado, emite constantemente alertas aos gestores. Será quase impossível que não se notem práticas lesivas à empresa. É certo que não há sistema perfeito ou infalível. É certo também que se os “mal intencionados” estiverem no topo, investidos de poder,será facilitada a burla do sistema. Os “bem intencionados” poderão valer-se de sua condição de gestores, participantes do sistema de governança, e exigirem o cumprimento dos “ritos da gestão “ (EX. efetividade de reuniões de colegiados, periodicidade e qualidade dos indicadores e relatórios de gestão; alçadas para leitura e análise de balanços, resultados financeiros,licitações,relatórios de auditoria etc). A transparência das informações de governança, além de dar segurança aos gestores (e até ao corpo de funcionários) incrementa o valor “CONFIANÇA”, indispensável entre pessoas que trabalham juntas.

NUMA EMPRESA ASSIM (COM UMA BOA “ESTRUTURA PARA GESTÃO”), VOCÊ HÁ DE CONVIR QUE  AS PRÁTICAS DE CORRUPÇÃO TERÃO QUE FAZER MAIS GINÁSTICA PARA SUBSISTIREM.

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

Um comentário

  1. Perfeito, Milton. Só gestores qualificados podem minimizar a corrupção e fazer a empresa crescer e progredir. O que também torna seus funcionários mais motivados, vestindo mais a camisa da empresa. Mas, como você diz em seu artigo, em empresas públicas tudo é mais complicado.
    Tive o prazer de trabalhar com você no Treinamento do Itaú. Lá, sob sua tutela, tive tantas lições que levarei para toda a vida. Aproveito para, mais uma vez, agradecê-lo por todas as oportunidades e ensinamentos que me concedeu. Foram tempos felizes e prazerosos. Sinto saudade de verdade. Depois, conheci o trabalho que você desenvolveu no Serasa Experian. Tão impecável que rendeu-lhe prêmios. Parabéns pelo seu trabalho, sua competência e por seus artigos que além de muito produtivos extremamente claros e bem escritos, Professor.
    Abraço

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