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UM NOVO CAPITALISMO ? UMA NOVA FORMA DE PENSAR A EMPRESA

LEAD

A revista VEJA, em suas páginas amarelas desta semana, publica entrevista com o CEO da UNILEVER, o holandês Paul Polman.

A matéria, sob o título “O CEO da Sustentabilidade”, traz esperança a quem acredita que o Capitalismo tem salvação, desde que outros empresários e presidentes de grandes empresas compartilhem de ideias como as apresentadas e vivenciem  práticas como as que estão funcionando na UNILEVER.

“NOSSO SUCESSO VAI DEPENDER DE QUANTO CONSEGUIREMOS MELHORAR A VIDA DAS PESSOAS”

Com essa introdução, a entrevista vai demonstrando o quanto são avançadas e distintas suas ideias. Paul reforça claramente aquela máxima de que a empresa é responsável também pelos “problemas da sociedade como a pobreza, as mudanças climáticas e os direitos humanos”. Mas ele traz à luz uma visão diferenciada e mais profunda e sincera de como trata esses assuntos. Não com a superficialidade de muitos empresários cujas ações se resumem a estratégias de marketing ou a discursos distantes das práticas.”Melhorar a vida das pessoas” é um objetivo de sua empresa, de seu negócio. A tão falada “sustentabilidade” ele a põe em ações práticas descritas na entrevista. E comprova que essas ações reduzem custo e trazem resultado econômico para sua empresa (isso tudo além de fazer um bem enorme à natureza e ao ser humano)

“UM PRAZO DE DEZ ANOS  PARA MELHORAR A SAÚDE E O BEM-ESTAR DE 1 BILHÃO DE PESSOAS”

Isso parece fala de um CEO? Ele tem consciência elevada de que os negócios pagarão preço alto no futuro se nada for feito pelo ser humano nas diversas partes do globo. Cita a China, onde já se discutem ( e olha que já houve Prêmio Nobel que falou isso) formas diferentes de se medir o PIB, utilizando-se parâmetros como “qualidade de vida,do ar, da água, da educação”.Tem-se falado muito em FELICIDADE INTERNA BRUTA.

UM CONCEITO AVANÇADO

Paul Polman não acredita  na criação de áreas dedicadas a cuidarem ,por exemplo, do assunto Sustentabilidade. Isso deve estar impregnado no negócio da empresa (vejam matéria anterior nesse Blog,”Uma Lição Apreendida”, em que cito o ex-presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, meu líder na época,que defendeu que ações de responsabilidade social, qualidade de vida, teriam que fazer parte do negócio da empresa, não devendo ser confinadas em um instituto específico, criado para esse fim). Todos os líderes da empresa têm que compartilhar desses valores, dessas ideias, dessas práticas. Não devem ser coisa de uma área isolada do resto da empresa.

O CAPITALISMO PRECISA EVOLUIR

Paul fala na entrevista da criação de um certo “plano B” para o capitalismo.Decide “NÃO DIVULGAR RESULTADOS A CADA TRIMESTRE”. Isso é de uma enorme relevância , quando se quer trabalhar a “empresa sustentável”, a visão de médio e longo prazo. Essa obsessão por resultados de curto prazo (“shortermismo”) tem levado as empresas a perderem a própria visão estratégica do negócio, tomando decisões para satisfazer a ganância do lucro a qualquer “preço”. A sustentabilidade real fica no esquecimento, e a empresa pode perder o passo. Para o presidente da Unilever, não faz sentido satisfazer as expectativas dos investidores a cada 90 dias. Se assim fizesse, a companhia investiria “menos que o necessário  em pessoas, em pesquisa e desenvolvimento”. As metas de longo prazo ,além do desempenho, são os parâmetros para remuneração dos executivos .

Essa entrevista cuja leitura recomendo faz nascer esperança concreta de que uma companhia não se mede só pelos seus resultados econômicos e financeiros.Estes podem vir fortalecidos por resultados de outra natureza, que privilegiam o ser humano , a sociedade e o ambiente em que tudo se insere.

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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