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TRABALHO OU EMPREGO? E se você ganhar na Mega Sena?

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Loteria e trabalhoLEAD

O conhecido consultor e palestrante Waldez Ludwig costuma dizer que a primeira coisa que um apostador da Mega Sena diz é: “Se eu ganhar , não passo mais nem na porta daquela empresa “. Isso para dizer o quanto as pessoas “odeiam” o trabalho ou o “local” onde ele ocorre.

Esses são os dois principais motivos : ou a pessoa detesta o trabalho que faz ou detesta o ambiente da empresa. O primeiro é condição prevalecente. A pessoa não vê significado no que faz, acha que não nasceu para fazer isso e aquilo, a natureza das atividades não lhe causa prazer etc. Nesse caso, a Segunda-Feira é um fardo e ,no Domingo à noite , abate-lhe uma angústia que nem o “Fantástico” consegue aplacar.

Para o segundo motivo uma série de fatores concorre. O ambiente é ruim porque os chefes são intratáveis ou porque a pressão por cumprimento de metas é insuportável,porque a competição é desigual e não há políticas de meritocracia,ou porque as condições físicas do local são degradantes e vai por aí afora.

Quando os dois motivos ocorrem simultaneamente, o trabalho voltou às origens e virou “tripalium”, do latim “três paus”, instrumento de tortura.

SERÁ QUE DÁ PARA FAZER SEMPRE O QUE SÓ TRAZ PRAZER?

Já na escolha de um curso superior as primeiras dúvidas ou quase certezas aparecem. Podem ser prenúncio do que virá .”Será que faço Medicina para seguir os passos dos meus pais?” ; “quero ser profissional liberal, porque não desejo emprego e sim trabalho”; “vou fazer Administração e,depois de empregado,faço especializações”; “quero ser empreendedor, vou ter o meu próprio negócio e assim faço qualquer curso para agradar meus pais”; “vou ser “chef” de cozinha”, “vou ser ator” etc.

Esse mundo de transformações rápidas vem impactando o “mercado de trabalho”. Centenas de profissões surgindo, contrapondo-se à extinção de outras tantas, novas gerações assumindo o “comando”, hierarquia “suavizada”,estruturas mais horizontalizadas, menos chefes mais líderes, horário flexível,teletrabalho, generalistas X especialistas X nexialistas (uma disputa sem vencedor), processos de comunicação totalmente transformados por tecnologias que surgem todos os dias. Tudo muito bonito no mundo empresarial idealizado.

Mas,em nosso país, quando o desemprego atinge os níveis atuais, as empresas (em sua maioria) ligam o alarme da sobrevivência e aí o ” facão” da demissão corre solto. “Gente boa” se vê na rua e ,pelo menos em um primeiro momento, aceita qualquer negócio para voltar ao mercado. Enfrenta o “tripalium” com altivez: “tenho dívidas e filhos para criar”.

Muitas empresas sem critério e sem pensar no futuro cortam talentos, destroem valor, geram desconfiança no mercado,põem em risco sua credibilidade … Não importa: é hora de reduzir custo a qualquer custo. Trocam-se funcionários com mais tempo de casa por jovens com salário mais baixo. É um momento em que a procura por emprego supera e muito a oferta.

E assim, coagidas ou resignadas, muitas pessoas entram nas  empresas por um trabalho que não lhes dá prazer algum.

SERÁ QUE UM DIA ISSO VAI MUDAR?

Por essas e outras que os jovens de hoje (no Brasil pelo menos) que têm oportunidade de estudar ( e de aprender)  vêm se mostrando céticos e arredios em relação aos empregos disponíveis. Muitos buscam o negócio próprio; outros miram os exemplos de blogueiros bem sucedidos ou de investidores solitários do mercado financeiro; há um tanto que troca as promessas de remunerações crescentes das empresas por trabalhos prazerosos mesmo com salários mais modestos em ONGs. E há ainda os que ( se os pais possuírem recursos para mantê-los) continuam fazendo cursos e garimpando o mercado em busca “daquele” trabalho que lhes faz sentido.

Mas,infelizmente, a grande maioria aceita as propostas de emprego pela segurança de terem salário e benefícios ao final de cada mês.É a realidade, quando as empresas não querem ou não conseguem se planejar e garantir o planejamento de vida das pessoas em um horizonte de tempo mais amplo.

Enquanto o país ficar nessa gangorra de crescimento e recessão, práticas modernas de gestão não vingam. Métodos antigos acabam prevalecendo. O “trabalho com significado”, a “felicidade no trabalho”, a “humanização das práticas de gestão”,tudo isso ficará restrito a “apenas uma fotografia na parede” como dizia Drummond. “Mas como dói! “.

 

 

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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