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SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

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Não há dia melhor para uma reflexão sobre a vida do que o DIA DE FINADOS. Tentando fugir dos chavões típicos do dia, meu pensamento se concentra nos políticos, nos empresários,nos executivos e em tantas outras pessoas cujas profissões transmitem uma agradável sensação de poder e supremacia. “O homem lobo do homem” ? Aliás, pensando bem, o poder se disputa todos os dias entre homens e mulheres, maridos e esposas, colegas de escola,crianças no parque, etc etc etc. O homem atavicamente herdou genes (também comuns nos irracionais) pelos quais se fortalece demonstrando poder em seu “território”.

Mas o poder pode ser demonstrado pela força, pela riqueza,pelo conhecimento, pelas ideias e assim por diante. Tomá-lo para si gerou nos tempos de hoje o neologismo da moda na Língua Portuguesa: “empoderamento”.

Evidente que o poder não é definitivamente coisa do mal. O que o pode tornar nocivo e deletério ao ser humano é o seu exercício para indicar supremacia de uma raça sobre outra, sua prática em forma de assédio moral ou sexual, sua utilização para subjugar pobres e oprimidos gerando subserviência, exibicionismo para impor padrões de comportamento,atuação para corromper, aliciar ,tirar a vida ou massacrar ,aproveitando-se de fragilidades dos semelhantes.

O poder pode sim ser instrumento de transmissão de ideias, de transformação social, de ensino-aprendizagem, de fortalecimento dos mais fracos, de melhorias nas condições de vida de populações etc. Exercê-lo , aqui, significa colocar conhecimentos ,ideias, domínio de tecnologias a serviço de um bem maior. Nesses casos, o poder vem conjugado ao verdadeiro conceito de LIDERANÇA.

É importante,porém, que o poder ,mesmo servindo a causas nobres, não embriague o “poderoso” a ponto de provocar nele sentimento de superioridade, dando-lhe a falsa sensação de que o seu poder é ilimitado e dura para sempre.Pode trazer-lhe arrogância e um apego desmedido com a sensação de que nunca irá perdê-lo. O “poderoso” passa a dedicar seu tempo precioso da vida a exercer o poder pelo poder.Pode perder amigos e cultivar falsas amizades.Tudo pelo poder que ele não reconhece como efêmero nem circunscrito a contextos determinados. Importa-lhe mais essa “sensação gostosa” de ,por exemplo ,ir ao trabalho e,diariamente, encontrar pessoas que o servem, o admiram e até o respeitam.

Mas é aí que entra o Dia de Finados para lembrá-lo do inexorável: um dia esse status muda, outros mais “poderosos” surgirão no seu caminho e sua glória se extinguirá naquele espaço. Essa reflexão não é para você abdicar do poder que tão bem poderá fazer hoje a tantas pessoas que pode ajudar, mas é para exercê-lo sem deslumbramento, até com discrição, com a sabedoria de quem aprende e ensina, e consciência de que determinada etapa de sua vida lhe poderá ser pródiga e propícia para fazer o bem, conquistar amigos, justificar sua passagem pela vida para,depois, dormir em paz.

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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