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RH – 2018: uma “NOVA” guinada de 360 graus?

A despeito dos significativos avanços que várias áreas de RH obtiveram, emuladas pelos exemplos das melhores empresas para se trabalhar, é forçoso reconhecer que ainda há um sem número de empresas cujo RH continua patinando em torno de atávica “crise existencial“,que já se tornou sua característica marcante: o RH é ou não é estratégico ?

Ainda ,por incrível que pareça, o fantasma da “área de pessoal”, gerida pelo eterno Gerubal Pascoal, ronda as áreas de RH que não sabem livrar-se dela, considerada área burocrática, destituída de qualquer charme. No passado, o RH, que englobava essa área, pertencia a uma tal Diretoria Administrativa que cuidava das atividades (erroneamente rotuladas de menos nobres) voltadas para a infraestrutura da empresa: facilities, pessoal,serviços gerais, contabilidade etc. Colocavam-se em paridade os “recursos” humanos, financeiros e materiais. Daí surgir o nome que se consagrou: RECURSOS HUMANOS -RH.

Com o tempo, em busca de atividades ditas “mais nobres”, o RH andou flertando com o Marketing que cada vez mais se impunha assumindo atividades estratégicas e cheias de charme. O RH começou a dividir o “território” da comunicação interna, das metas e premiações por resultados , das campanhas internas de sensibilização da força de vendas , de atendimento etc. Adotou o termo endomarketing e passou a considerar o funcionário como se fosse um cliente da empresa.

Mais recentemente, começou o RH a “rondar” a prestigiada Área Financeira,compartilhando com ela questões salariais, sindicais  e de estrutura organizacional, que têm forte impacto nas despesas e,por consequência, nos resultados da empresa. Viu aí também inspiração para fugir do rótulo “RECURSOS Humanos” e passou a adotar o questionável “CAPITAL Humano”  (não seria trocar seis por meia dúzia?). O Ser Humano passou a ser considerado o principal “ativo” da empresa.

RH DE TRANSFORMAÇÃO

É mais que a hora de o RH deixar de lado crises e modismos e partir para um posicionamento firme que ajude a empresa a  inovar-se e  transformar-se continuamente, atingindo resultados econômico-financeiros, resultados para as pessoas e sociedade , de forma sustentável.

O “triple bottom line”tripé da sustentabilidade aplicado às organizações, coloca “pessoas” no mesmo patamar da parte econômico-financeira e ambiental. “Pessoas” é sem dúvida item super estratégico para as empresas ( isso não necessariamente implica que RH o seja). A escassez de talentos, por exemplo, é apontada em pesquisa com executivos como um das maiores problemas que a empresa está enfrentando com reflexos em seu futuro. Eis uma oportunidade para um “trabalho estratégico” do RH.

O preparo da Liderança e o fortalecimento da Cultura Organizacional são tópicos fundamentais para a perenidade das organizações,nem sempre(bem) conduzidos pelo RH.

RH estratégico é aquele que influi de fato nos fatores essenciais que transformam a empresa, garantindo-lhe crescentes e constantes resultados (lato sensu) que a mantêm competitiva e perene. RH estratégico atua fundamentalmente em “fatores de transformação” da empresa: LIDERANÇA, ESTRATÉGIA e CULTURA. Nunca será estratégico se mantiver seu foco nos chamados “fatores transacionais” , desconectados dos  “fatores de transformação”.

Pesquisa de clima, treinamento, avaliação de performance, recrutamento e seleção, administração de cargos e salários etc são atividades de que qualquer empresa precisa. Se o RH se fixar só nelas, não estabelecendo conexão com os citados “fatores de transformação”, ficará patente que a área não tem força ou não deseja posicionar-se estrategicamente. Será sempre um “RH Transacional” ou RH que atua só em questões táticas e/ou operacionais .

COMO SE TRANSFORMAR NUM RH DE TRANSFORMAÇÃO

Nesse mundo de conectividade em que as partes se juntam para que o conhecimento gerado em uma seja input para gerar conhecimento em outra e vice-versa, é de se supor que as áreas nas empresas estejam cada vez mais conectadas entre si, dificultando a identificação dos “territórios” delimitados pela estrutura organizacional. É comum hoje observar nas empresas diretorias com nomes enormes indicando a proximidade de suas áreas de competência ( Diretoria de Pessoas, Infraestrutura e Serviços Gerais; seria a volta da velha Diretoria Administrativa?). O certo é que as áreas têm mesmo que interagir mais. RH não pode prescindir dos conhecimentos gerados, por exemplo, pelas áreas de Marketing e Finanças e vice-versa.

A liderança dos processos é que está em jogo. Desenvolvimento de Líderes em todos os níveis e Gestão da Cultura Organizacional ( ser guardiã da Cultura, identificá-la ,cuidar de sua difusão e do “processo de aculturação” ) podem muito bem ser liderados pela área de RH. Para o terceiro item essencial de transformação, Estratégia, o RH tem que ter assento à mesa em que se traça o planejamento estratégico, incluindo “pessoas” como ponto central para o desenvolvimento organizacional. Tem que levar todo seu conhecimento sobre Pessoas à mesa, com informações e dados relevantes que nortearão decisões para o futuro da empresa.

RH estratégico de transformação define linhas de atuação.Estabelece suas próprias estratégias para influenciar a organização. Se, por exemplo, adotar uma “linha humanista” , em que o trabalho tem que ter significado para as pessoas em um ambiente agradável com elevado “índice de felicidade”, deverá munir-se de elementos que convençam a liderança de que isso trará benefícios comprovados para o sucesso da empresa. Como convencer o presidente e demais executivos,por exemplo, de que pessoas felizes produzem mais e melhor?

RH estratégico ou de transformação: eis um caminho a seguir em 2018, aí sim numa guinada de 180 graus!

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

2 comentários

  1. Caro amigo Milton, muito obrigado por continuar contribuindo para a comunidade de RH. Sua experiência e sapiencia precisam ser compartilhadas incansavelmente.
    Precisamos de pessoas como voce para nos inspirar e desafiar a construir uma área verdadeiramente de Desenvolvimento Humano.
    Um grande abraço e mais uma vez muito obrigado!!

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