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PRÊMIO MULTISHOW 2015- Uma festa para a música brasileira?

Ontem resolvi assistir pela TV à festa de entrega do PRÊMIO MULTISHOW 2015 para intérpretes da música brasileira.

Iniciou bem, com homenagem aos 100 anos do SAMBA,apresentando alguns bons sambas na interpretação de Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Alcione, Péricles, Arlindo Cruz , Teresa Cristina e outros. Depois , intercalando entregas de troféus, eram apresentados cantores de determinados gêneros musicais brasileiros.

A ideia de mostrar as várias “tendências” da atual música brasileira é válida. Privilegiar um público enorme que idolatra os cantores “bonitinhos” de hoje é quase um dogma para as emissoras de TV, que buscam loucamente audiência. Na plateia, além de rostos conhecidos de artistas televisivos, havia grupos e mais grupos de mocinhas de fã -clubes, enlouquecidas pela presença de seus astros prediletos. Celulares em punho e fotos para todos os lados. Delírio geral e até invasão do palco para beijar Luan Santana.Tudo igual em todas as épocas.Da Jovem Guarda aos Menudos. Do Chacrinha ao Globo de Ouro.

Sempre houve (e haverá) essa “música popular” de baixa qualidade. Nem é questão de gosto, mas sim de qualidade. Qualidade das letras, simplistas (diferente de simples),apelativas, rimas pobres etc; qualidade da música, pobre em melodia e harmonia, com “batidões” que tornam muitas vezes as letras inaudíveis. Haverá (sempre?), contudo, menininhas e menininhos alucinados, garantindo audiência que é reforçada pelas redes de TV, principalmente. É o “velho dilema” dos biscoitos Tostines: o nível da TV não melhora porque o nível intelectual das pessoas não melhora ou o nível intelectual das pessoas não melhora porque a TV também não “facilita”?

O que também chamou atenção foi a discrepância entre essas músicas de baixa qualidade e o “pot- pourri” de músicas para homenagear Caetano Veloso e Gilberto Gil, mais para o final da FESTA. Aliás, Gil e Caetano assistiram da plateia a todas as apresentações.Fiquei imaginando o que pensavam quando Pablo, Lucas Lucco , Gustavo Lima e Cia. cantavam. As fisionomias flagradas pelas câmeras denotavam um ar talvez de “espanto” ( o que que eu estou fazendo aqui?) ou de indagação (será que essa é mesmo a “nova” MPB?). Nada contra os “meninos”. Estão na deles: bonitinhos, simpáticos,fazendo a alegria da mulherada e faturando horrores. A questão que se impõe é a qualidade de suas músicas e os caminhos de nossa música brasileira.

Voltando ao “pot- pourri”: Ana Carolina, Ana Cañas, Maria Gadu,Anitta (até ela) e Gal Gosta cantaram alternadamente canções de Gil e Caetano. Músicas de indiscutível qualidade. Letras fantásticas. Depois,os dois cantaram algumas canções do show com que percorreram recentemente vários países.

Gal Costa, outra que parecia peixe fora d’água,era uma desconhecida da maioria desses fã-clubes.Foi recebida sem muito entusiasmo pelo público ( era o que se percebia pela transmissão da TV). Mesmo considerando que sua voz já não é mais aquela de possantes agudos, impossível não a reconhecer como uma das melhores intérpretes da MPB de todos os tempos. Felizmente lembraram de conceder-lhe um troféu especial pelos 50 anos como cantora.

Assim a festa acabou! “E agora José?” Muitos prêmios concedidos aos “ídolos de plantão”, escolhidos por votos na Internet ou por um desconhecido “corpo de julgadores”. Muita música de péssima qualidade , certamente descartável daqui a poucos meses. Alguns bons momentos para lembrar que a rica MPB de qualidade existe e que há promissoras revelações. E… Chico Buarque, Paulinho da Viola, João Gilberto,Betânia, Simone, Zélia Duncan, Milton Nascimento, Mônica Salmaso e tantos outros a quilômetros de distância dessa Festa.

Desligo a TV. Vou ver se encontro esse pessoal ausente em algum teatro por aí…

 

 

 

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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