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Por que odiamos ter chefe?

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Lead

Várias pesquisas hoje vêm apontando que uma expressiva quantidade de jovens recém-formados em universidades tem optado por empreender, criar seu próprio negócio. Por outro lado, já se observa que mesmo os jovens que entram nas empresas por meio de programas de trainees trocam de empresas após o primeiro ou segundo ano de efetivação em um cargo.

O que vem acontecendo?

As empresas mais reconhecidas por seus programas de trainees até que oferecem boa remuneração, estágios em várias áreas e promessas de programas de treinamento e desenvolvimento ousados, dependendo do caso, até com estágios no exterior.

O principal problema para o qual a empresa não está atenta é que o chefes que vão receber esses trainees, sendo seus principais mentores, ainda estão imersos em “velhos paradigmas” sobre liderança .Vou citar apenas dois, entre outros conjuntos de atitudes que movem os chefes.

Paradigma do chefe patrão

Os chefes acham que têm o poder de mando, porque “sabem mais”, o que os transforma em ‘controladores”, muito preocupados em exercer esse “falso poder” em pequenas coisas do dia a dia: horários de chegada e saída (muitas vezes com controle do ponto, que ainda existe); rigor na cobrança do “job description” ou seja “você está aqui para cumprir tais e tais tarefas”; determinação do “território” onde o jovem pode circular ; “nada de falar com aqueles outros daquela área”.

Paradigma do chefe paizão

Os chefes acham que podem controlar, dando prêmios ou infligindo castigos. Trata-se de atitudes que tentam infantilizar adultos. Os pais à moda antiga agem assim com as crianças: “come tudo que a mamãe vai te dar um brinquedinho” ou “você não vai hoje brincar, porque não fez as tarefas da escola”.

Isso tudo sufoca o jovem trainee, que não se sente desafiado, que vê frustradas suas expectativas de ser “empoderado” (“empowered”), entendido como a capacidade de assumir o poder em questões que pode dominar pelas competências adquiridas.

O jovem vai partir para outra

O jovem começa a perceber que seu campo de atuação pode ficar circunscrito aos limites da área de domínio de seu chefe.

O chefe, por sua vez, demonstra que não consegue inserir-se no conceito moderno de liderança, pelo qual se torna mais um educador, formador de equipes e desenvolvedor de talentos; um líder que transforma seus liderados em líderes também, com possibilidades de trazerem inovações para a empresa e de liderarem novos projetos.

Para os jovens trainees, “chefiados” e não “liderados”, só resta tentar a sorte em outra empresa ou partir para um trabalho que lhes faça sentido. 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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