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“O TEMPO PASSOU NA JANELA…”

“AS COISAS ESTÃO NO MUNDO,SÓ QUE EU PRECISO APRENDER”

Aprender tira as pessoas da zona de conforto; inquieta-as, fá-las rever suas verdades e preconceitos.

⊕Hoje,mais do que nunca,aprender é necessário.“As coisas estão no mundo,só que eu preciso aprender”. As coisas se obsoletam rapidamente.Quem de licença na sua empresa por alguns meses retorna ao trabalho sabe quanta coisa mudou. E mais: desaprender é aprender,reaprender. Não renunciar a verdades absolutas sem questioná-las à luz dos conhecimentos atuais é grave empecilho ao crescimento profissional.

Descompartimentalizar hoje em dia é um meio de não ficar para trás.Saia da caixa, saia do compartimento “área’/setor/cargo” e interaja com outras áreas,conecte-se com os outros. Cada vez mais precisamos de profissionais “nexialistas”,que sabem conectar conhecimentos,que sabem o que os outros fazem e sabem onde procurar soluções para os problemas de sua área.Não pense que “o mundo gira em torno de sua atividade”. RH,Finanças,Marketing etc, cada vez mais integrados.Mal comparando,  é como Telefonia,TV,Música,Comunicação,GPS etc, tudo integrado no mesmo aparelho.Convergência de conhecimentos!

“O NOVO SEMPRE VEM”

E não adianta ir contra o novo;já disseram : “o novo sempre vem” !? Há que se extraírem as vantagens que o “novo” traz ,distinguindo-o do “falso novo” que vem em forma de modismo passageiro.

A lista do “novo” não para de crescer:

⊕Bancos sem agências físicas; bancos digitais ;

⊕Moeda digital → fim do cheque, do cartão e do papel moeda(?);

⊕Comércio eletrônico/lojas virtuais X lojas físicas;

Uber X táxis ; Airbnb X hotéis ; Netflix X locadoras de vídeo/DVD; Spotify X CD/discos; Kindle X Livros impressos;

⊕Os já “velhos” robôs e seu impacto nas Montadoras;

⊕Impressora 3D ,além de revolucionar a área de próteses da Medicina,pelo que consta já “imprimiu” até casa;

⊕Realidade Virtual (visitas virtuais a imóveis, museus,corpo humano etc);

⊕Inteligências Múltiplas,Inteligência Emocional,Inteligência Artificial,Inteligência Competitiva…

⊕Internet das “Coisas”;

⊕Economia colaborativa;

…e vai por aí afora com startups inovando sem parar.

“NADA DO QUE FOI SERÁ DE NOVO DO JEITO QUE JÁ FOI UM DIA”

⊕É de se esperar que esse “admirável mundo novo” que inova e se renova a toda hora gere novos modelos de negócio,remexendo o ambiente  concorrencial. Evidente que as relações de trabalho não podem ser as mesmas do século passado.Li essa manchete na Folha(17/05/2017): “Robôs ameaçam metade da mão de obra”. Novos tipos de trabalho e novas profissões estão surgindo.Impõe-se nas empresas,para sua sobrevivência, uma urgente “Cultura de Inovação”.

⊕ Um negócio bom hoje pode se tornar uma péssima opção em pouco tempo. Nascimento/vida /morte de empresas/negócios , o ciclo de vida de uma empresa/negócio pode ser muito curto, se o gene da inovação contínua não for inoculado na cultura organizacional.

Jornais e revistas impressas oferecem alternativas digitais. As notícias que nos chegam instantaneamente exigem reformulação dos conteúdos impressos, mais analíticos ,com maior nível de profundidade.As “bancas de jornais” (com muito menos jornais) diversificam a oferta de produtos. Os Correios,em crise, repensam seu negócio.Redes sociais, E-mail, Whattsapp, Face etc deixam no passado cartas e telegramas.Quem se lembra dos “cartões de Natal”(impressos) vorazmente procurados em todas as lojinhas no final de ano?

⊕E estão chegando os “drones” com múltiplas aplicações,prometendo até impactar o serviço de entrega de mercadorias nas residências.

Big Brother, Big Data, “big câmeras”, big invasão de privacidade…tudo para se discutir e legislar sobre.

⊕ O “novo” vem em “ondas como um mar”.“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. A “Terceira Onda” de Toffler ensejou a “Quarta Onda”, expressão proposta pelo próprio autor (morto em 2016). Outras ondas certamente virão.

“…SÓ CAROLINA NÃO VIU”

⊕Nas empresas ainda há muita gente querendo entender tudo isso.E não há tempo para muita reflexão.Há que agir logo para não perder o “carro não tripulado da história”. As gerações nominadas de “Baby Boomer”, X , Y e Z já permitem outras traduções. Falam em “Milennials”; falaram nos choques entre “velhos chefes analógicos” e “jovens digitais” . Poderíamos falar em subgerações “Plasma”, “LCD” e “LED” ?

⊕Imaginem se a criação desse “mundo de coisas novas” fosse depender das pesquisas sobre a necessidade e satisfação do cliente! Ante toda enxurrada de informação e conhecimento que desaba sobre as empresas gerando reestruturações e reposicionamentos estratégicos constantes, as palavras de ordem são: criatividade,competência,intuição, ousadia, risco,desprendimento e ação.Sem isso não se implanta a imprescindível “cultura de inovação”.

⊕O notável crítico literário e ensaísta, Antônio Cândido,recentemente falecido,em uma de suas entrevistas disse que não tinha E-mail nem usava Internet.Continuava datilografando seus textos em uma velha máquina de escrever. E usou a expressão: ” encalhado no passado”. Ele, com toda sua sabedoria, poderia dispensar o apoio das novas tecnologias ,porque, como grande pensador, usou mesmo o cérebro, estando à frente do seu tempo, nos antecipando muito do que poderá vir.

Nas empresas,porém,não se pode admitir pessoas “encalhadas no passado”, vítimas da “Síndrome de Carolina”: não ver o que está passando na janela, não perceber que o mundo inexorável e rapidamente se transforma.Procuram-se freneticamente novos perfis de profissionais. Não é à toa que ” gente ” é o grande diferencial das empresas que sobreviverão.

(Referências musicais: “Carolina”-Chico Buarque; “Coisas do mundo ,minha Nega”-Paulinho da Viola; “Como nossos pais”-Belchior; “Como uma onda”-Lulu Santos e Nelson Motta)

 

 

 

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

2 comentários

  1. Amigo Milton,
    ….a velocidade é enorme! E acelerando… você cita os carros não tripulados, praticanente imunes a acidentes, e eu lembro de um artigo que li recentemente: o negócio tradicional de seguros e reparos de automóveis vais acabar. A própria automação dos veículos fará com que o conceito “Uber” seja radicalizado: ninguém vai ter mais carro…
    As impressoras 3D já produzem peças sobressalentes pra aviões nos próprios aeroportos. Logística de armazenamento e gestão de estoques de peças? Vai acabar.

    Mas… mesmo assim, ainda me deparo com os noticiários da manhã (e do dia todo!), gastando um tempo enorme mostrando em cadeia nacional como está o trânsito na Avenida do M’Boi Mirim, ou da chegada da Via Anhanguera na capital paulistana. Pra que? A quem interessa? Ao 1% da população que assiste a TV, naquele momento, e que vai passar perto desses locais? Oras… os aplicativos que conjugam GPS com monitoramento online do tráfego já resolveriam esse problema… no entanto, as emissoras teimam em gastar um tempo precioso, delas próprias e do telespectador/ouvinte, com esse assunto no mínimo anacrônico. Acabou! Não interessa mais.

    Mas, como você diz, é difícil se desfazer dos velhos hábitos, das velhas roupas…

    Grande coisas nos reserva o futuro próximo! Grande abraço e parabéns pelo blog!

    • Obrigado pelos comentários,Ricardo! Você apontou mais inovações que vêm mexendo com negócios e com o comportamento humano em geral.É tanta coisa que me esqueci de citar essa que você tão bem lembrou:IMPRESSORAS 3D. Meu Deus,quanta coisa essa engenhoca está fazendo e promete fazer!Imprevisível saber onde isso tudo vai parar.Será que para?

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