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O LÍDER E A EMPATIA

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LEAD

O uso da expressão “falta de educação” me parece perfeito para designar pessoas que não “desenvolveram/aprenderam”  Inteligências ditas Emocionais. Dentre estas,destaco a EMPATIA, pela qual uma pessoa percebe os sentimentos dos outros. Como se diz por aí: consegue colocar-se no lugar dos outros.

Pelos estudos mais atuais sobre o assunto, sabe-se que Inteligências se aprendem ou se desenvolvem, mesmo considerando que há um componente genético que determina o “potencial” de desenvolvimento (o máximo que se pode atingir no desenvolvimento de uma Inteligência).(Referências: “Estruturas da Mente -A Teoria das Inteligências Múltiplas”, Howard Gardner, e “Inteligência Emocional”, Daniel Goleman).Explicando: eu posso ser mais ou menos “gênio” musicalmente ( Inteligência Musical) conforme o patrimônio genético herdado. Só que, mesmo tendo potencial para “gênio”, preciso desde criança desenvolvê-lo, senão acabarei sendo apenas um músico razoável.

Considerando EMPATIA um tipo de Inteligência (no contexto das “emocionais”), analogamente pode-se dizer que uma pessoa “herda” um certo potencial para desenvolvê-la e isso pode se dar desde os tempos de infância. Não desenvolvida, por falta de “educação de berço” aliada à falta de “educação escolar”, o indivíduo cresce com esse “deficit” e aí na fase adulta alguns exemplos de situações podem ocorrer.

1- A pessoa não percebe que está incomodando os outros e toma iniciativas do tipo: aumenta o som do carro sem dar importância à presença de outros; no carro,põe o ar-condicionado no ponto mais frio sem perguntar se é do agrado dos demais; fala alto ao celular em local público sem perceber que está atrapalhando os vizinhos etc. Exemplifico situações em que a pessoa não percebe que está desagradando ao outro.

2- A pessoa toca em assuntos que desagradam um amigo, não notando que causa certa “saia justa” no ambiente. Ou a pessoa faz perguntas consideradas indiscretas, incomodando o respondente (sem deliberadamente querer causar incômodo).

3-A pessoa , como se diz popularmente  “sem desconfiômetro”, magoa à outra falando de certas deficiências que esta procura esconder (toca na ferida, mas sem intenção de ferir).

Tudo isso pode se traduzir em “escassez de EMPATIA” com possível boa dose de egoísmo.

Há ,porém, pessoas que “herdaram” e “desenvolveram”  MUITA EMPATIA. Têm-na em excesso.E ,em certas situações ,esse excesso pode também ser prejudicial. São pessoas que não só percebem os sentimentos dos outros como também os sentem como se fossem seus.

Algumas situações,como exemplo:

1- A pessoa sofre a morte do pai de um colega como se o pai fosse dela também .

2-A pessoa é capaz de cair em depressão com notícias de crianças que passam fome em certo país da África.

3- A pessoa passa mal ao saber que uma conhecida sua morreu em circunstâncias trágicas , envolvendo acidente de automóvel.

Isso pode ser chamado de “sensibilidade apurada”, “pessoa ultra sensível e emotiva” etc. Eu prefiro levar para o campo das Inteligências e identificar a pessoa com “super empática”. Essas pessoas ,em geral altruístas, atuam muito bem como voluntárias em ações sociais , de solidariedade.

E COM OS LÍDERES NA EMPRESA COMO ISSO FUNCIONA?

Imagino que o LÍDER deve antes de tudo se conhecer (AUTOCONHECIMENTO é também parte das ditas Inteligências Emocionais). Se tiver “deficit de EMPATIA” , deve tratar de desenvolver essa “categoria” de Inteligência. Não se concebe um LÍDER moderno, que tem entre suas principais competências a GESTÃO de PESSOAS, que ignore os sentimentos de seus liderados. Como não perceber que em sua equipe há pessoas que não produzem porque estão desmotivadas? Como não associar essa desmotivação a sentimentos de injustiça encarcerados nesses “corações”? Como não agir para dirimir esses sentimentos?

Ainda há aqueles pseudo-líderes que se balizam pela máxima: “aqui é ambiente de trabalho; deixe seus sentimentos e emoções em casa”. Como se “INDIVíDUOS” não fossem “INDIVISíVEIS”. Um funcionário pode muito bem render menos certo dia no trabalho porque deixou para trás em casa um filho doente. Problemas na “base da pirâmide hierárquica de Maslow”  comprometem resultados nos níveis mais elevados. Como pode funcionar um “LÍDER” que não sabe e não quer fazer a leitura correta do ambiente, do “clima” que há em sua equipe? Se o ambiente da empresa é de insegurança por causa de uma série de demissões, o LÍDER tem que ter a capacidade de percebê-lo e agir para não comprometer a produtividade.

Parece-me também lógico que aquele “excesso de EMPATIA” não é uma boa medida para o LÍDER. Imagine um Líder que, em situações tensas, perde o equilíbrio e o controle (AUTOCONTROLE também é parte da Inteligência Emocional) e entra em parafuso (“descabela-se” e desmaia) levando a equipe ao desespero. Tive uma gerente que, ante a primeira notícia de uma morte na empresa, caía prostrada em sua poltrona e ficava horas em pranto.Evidente que não se pode eliminar sentimentos, mas -convenhamos- é necessário que o LÍDER, principalmente,consiga controlar-se para poder ajudar os liderados em situações difíceis.

Empatia é imprescindível para o exercício da Liderança. É necessário que o Líder a possua na dose certa, “desenvolvendo-a”, se necessário, ou “administrando-a” para evitar a “superdosagem”.

 

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.