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LIÇÕES DE ALVIN TOFFLER

A.TofflerLEAD

Morreu no dia 27 de junho em Los Angeles o consultor americano Alvin Toffler. Considerado “futurólogo” , Toffler é autor de livros que foram fundamentais para entendermos as tendências e evoluções das empresas a partir dos anos 1970. “O Choque do Futuro” e “A Terceira Onda” estão entre os livros mais importantes escritos nesses últimos anos. São leituras obrigatórias nos dias de hoje para quem quer compreender as grandes transformações por que passaram , passam e passarão as organizações, impactadas pelas novas tecnologias e seus reflexos nos sistemas social e econômico.

Gostaria de destacar um terceiro livro de Toffler, que , ao lado de “Sociedade Pós-Capitalista” do notável Peter Drucker, constituem para mim arcabouço do entendimento sobre o “mundo” das organizações e base para construção de qualquer raciocínio que me leve a elaborar palestras e conduzir aulas e seminários. Trata-se de “POWERSHIFT- As Mudanças do Poder”, escrito em 1990.

Desse livro pretendo enfatizar o que aprendi sobre os impactos das “mudanças do poder” nas organizações e disso tudo tirar minhas próprias conclusões.

UM NOVO MUNDO DO CONHECIMENTO E O NOVO SIGNIFICADO DO PODER

Antes desse “novo mundo”, as informações “pingavam” ,como uma “garoa” leve, permitindo às empresas se atualizarem e se estruturarem para as assimilar e as transformar em conhecimento . Hoje as informações vêm em “chuva torrencial”,exigindo das empresas rapidez em decisões, flexibilidade em suas estruturas e “empoderamento” das pessoas em todos os níveis. Isso é questão de sobrevivência para as organizações que ,por obsolescência, podem perder sua competitividade. Sem tratar as informações transformando-as em conhecimento aplicável, as empresas perdem a seiva da inovação, indispensável à sua existência.

O PODER está no centro dessas transformações. O conhecimento cada vez mais acessível às pessoas confere-lhes poder , e a “hierarquia tradicional” passa a ser questionada. ” A verdadeira característica revolucionária do conhecimento é o fato de poder ser adquirido pelos fracos e pelos pobres”. ” O conhecimento é a mais democrática fonte de poder”.

As velhas estruturas burocráticas centralizadas ,para Toffler, são coleções de “cubículos” em que suas conexões , os “canais”, ficam congestionados ,entupidos de tanta informação ,o que impede o fluxo fundamental da comunicação entre eles.

HIERARQUIA TRADICIONAL JÁ ERA

Hoje a sociedade é mais diversa : novos estilos de vida,novos produtos, novas tecnologias,novos meios de comunicação de massa. A diversidade implica complexidade. E as mudanças chegam a um ritmo que as burocracias não conseguem absorver.

Nas empresas a gestão eficiente dos custos impede a expansão infinita dos “cubículos” para  abarcarem todas as inovações. Empresas multifragmentadas em departamentos veem esse “sistema de cubículos” cedendo sob o próprio peso e perdendo logicidade. Funcionava quando as mudanças eram lentas e previsíveis.

Hoje a “reserva” de uma empresa (dados,informações,conhecimentos,competências) necessita de regeneração constante. A péssima comunicação entre os “canais”, com executivos e gerentes retendo informações, estimula a criação de “canais clandestinos” e “guerras de poder”. Esse cenário é nocivo aos esforços de inovação. E não resolvem muito os artifícios de que as empresas se valem para “contornar o sistema”. Comitês ,Grupos de Trabalho,Assessoria Especial,Estrutura Matricial, nomeação de “gestor de crises”, são paliativos com data de validade.

Qualquer reestruturação séria na empresa tem que atacar a organização do conhecimento e o sistema de poder nele baseado.

GESTÃO DE PESSOAS É A CHAVE

Cai o pressuposto de que é possível “pré-especificar” quem na empresa precisa saber o quê, prefixando para isso uma estrutura cheia de “cubículos”.

As pessoas podem adquirir conhecimentos em toda parte. Podem ampliar competências continuamente e não podem ficar restritas a limites territoriais descritos em cargos. Nunca foi tão válido o velho “job enrichment” e tão obsoleta a famosa “descrição de cargos”.

As pessoas devem ser “organizadas” de forma diferente. Há que se contemplar para isso : o verdadeiro “trabalho em equipe” ( que não se confunda com “equipe de trabalho”); o empoderamento das pessoas e sua capacidade de liderar ,com base em seus conhecimentos e competências. O conhecimento deve fluir em todas as direções alicerçado em um sistema eficaz de comunicação.Novos estilos de liderança se contrapõem aos burocratas-gerentes.

Uma “empresa flexível” há que aperfeiçoar seus controles sobre os processos e não sobre as pessoas.”A estrutura rígida,uniforme, da empresa deve ser substituída por uma diversidade de arranjos organizacionais”.

Profeticamente ,há mais de 25 anos, Alvin Toffler disse: ” Os anos vindouros verão uma onda gigantesca e irresistível de reestruturação empresarial que fará com que a recente onda de abalos no setor pareça uma plácida marola. Especialistas e administradores verão seu poder entrincheirado ameaçado à medida que perdem o controle de seus cubículos e canais.Transferências de poder irão reverberar por companhias e por setores inteiros”. Isso- parece claro-, não vale só para as empresas…

 

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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