0

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL: DÁ PARA VIVER SEM ELA?

Download PDF

estrutura-organizacionalLEAD

Seria possível uma ORGANIZAÇÃO se organizar sem uma ESTRUTURA, por mais simples que seja?

Organização precisa de “ordem”, “arrumação”. “Ordem” também remete a “comando” e “comando” se relaciona a “mando”,”chefia”, “poder”. Você coloca “ordem” na casa para ter o “comando” ou para a “casa” funcionar em ordem?

Organograma é a representação gráfica da “estrutura organizacional”, formal.

Existe uma forma ideal de as organizações distribuírem suas “tarefas” entre as pessoas?

TODA ESTRUTURA É LIMITANTE

A estrutura retalha as atividades de uma organização, estabelecendo limites entre as diversas áreas responsáveis. A territorialização da organização estabelece “feudos de poder”, gerando concepções,que ficaram anacrônicas, como: “minha área acaba onde começa a sua”. O curioso é que nem sempre a estrutura reflete o “poder real” dos “comandantes”. Há sempre uma “estrutura informal” que corre em paralelo, desbalanceando a pretensa racionalidade da “estrutura formal”. Alguns “comandantes” apresentados em um mesmo nível na “estrutura formal” comandam mais (ou menos). Vejam no Governo: alguns ministros mandam mais e gozam de prestígio diferenciado em relação ao presidente.

Essas “disputas de poder” que as estruturas alimentam acabam por restringir a fluidez necessária que a gestão exige.Imaginem ,então,o problemão que elas causam para a comunicação interna, já que quem tem informação quer retê-la para preservar o poder por ela conferido.

NO MUNDO DE HOJE AS ESTRUTURAS (RÍGIDAS) ATRAPALHAM MAIS

Em um passado que vai ficando distante, transformações organizacionais não ocorriam radicalmente como hoje. As estruturas eram mais previsíveis, porque as inovações eram bem pontuais,mais lentas. Havia até o “inventor isolado” que, sozinho, gerava sua “novidade” que durava muito tempo.Informações novas eram assimiladas facilmente por estruturas organizacionais estáveis.

Hoje o Prêmio Nobel de Física,por exemplo, vai quase sempre para um “grupo de cientistas”. É quase impossível distinguir “inventores isolados”. Antes se sabia o nome deles. Quem inventou a lâmpada? Quem inventou o telefone? O rádio? Nas escolas ,os alunos eram obrigados a saber. E agora: quem inventou o celular? o modem? a Internet? A inovação contínua gera invenções novas( mais recentes) em cima de invenções velhas .

A transformação é tanta que,por outro lado, a obsolescência vem numa rapidez impressionante. O Fax, que esnobou o Telex, já era. O celular que trago no bolso já ficou para trás: há modelos melhores no mercado. Problemão para o lixo : onde descartar tanta engenhoca velha.

As organizações precisam de informações para a sua sobrevivência. É por meio  delas  que se cria conhecimento e daí inovação. Como fazer com que a ESTRUTURA jogue a favor? Como fazer com que as informações que chegam sejam absorvidas e processadas rapidamente, mantendo a competitividade da empresa?

A TECNOLOGIA OFERECE PISTAS

A convergência ou interconectividade pode ser vista como uma “provocação” que a tecnologia faz para que as empresas repensem suas estruturas. Exemplo: o celular hoje reúne conhecimentos de telefonia, computador, televisão,música, comunicação etc. Para um único aparelho convergem conhecimentos acumulados de vários campos e tecnologias. É uma pista para que a empresa, analogamente, se estruture com base na interconectividade ou convergência de conhecimentos.

E não é que as organizações mais avançadas não tenham caminhado nessa direção. De uns tempos para cá, as estruturas organizacionais vêm experimentando arranjos variados e até criativos.Estrutura funcional,divisional,estrutura matricial, por projeto,estrutura em rede,estrutura celular, são exemplos de evoluções e tentativas de dinamizar o trabalho,considerando as abruptas mudanças no ambiente. A empresa Serasa, em um determinado período, implementou um modelo matricial próprio com dois polos em cada setor de atividade:um para planejar e outro para operar.

Parece intuitivo que o Trabalho em Equipe , diferente das equipes de trabalho (comissões, colegiados), ganha força nesse ambiente de mudanças rápidas, pois une conhecimentos de várias áreas por propósitos comuns. No genuíno Trabalho em Equipe  os participantes conectam conhecimentos, sem defenderem “territórios”. Trocam informações com objetivos claros, sem disputa de poder.A liderança,no caso,referendada por todos e baseada no propósito da equipe, deve ser rotativa,sem necessária obediência a nível hierárquico,. A Equipe tem metas, prazos e é avaliada com base nos resultados auferidos.

O desenho da estrutura,no entanto, continua sendo grande desafio.Como conciliar Trabalhos em Equipe com “cultura hierárquica” rígida? Estruturas por Projeto ou em Rede, em tese, se coadunariam melhor para o funcionamento  das equipes. Profissionais “formadores de equipes”, com “perfil nexialista”,já começam a aparecer como novidade , colocando sua habilidade de “unir conhecimentos” como essencial.

 A ESTRUTURA DEVE FAVORECER  A INOVAÇÃO 

O certo é que muitas novidades, muitas informações, caem diariamente no terreno da empresa e precisam ser processadas por uma estrutura ágil, para que a organização não veja os concorrentes saindo na frente, inovando e ganhando mercado. Algumas tentativas de organização têm-se mostrado ineficazes.Exemplos: criar áreas para planejar e outras para executar (parece que querem que só uns pensem); criar uma única área para inovar (o resto da organização fica fora e desobrigado de melhorar os processos);criar área isolada só para Qualidade,só para Planejamento etc.

A tendência,como vimos, não é isolar conhecimentos mas sim uni-los. Uma “cultura para inovação” pressupõe uma empresa em que todos pensem, todos possam contribuir para o planejamento, todos tenham rigor na gestão da qualidade dos processos e dos produtos/serviços. Um atendente, um caixa, um vendedor,por exemplo,”carregarão” na linha de frente os valores dessa cultura, com consciência de que ante os clientes eles representarão de fato a empresa (falarão por ela).

A perda de talentos , tão sentida nos últimos tempos, tem sua causa principal nas sufocantes estruturas que desestimulam a criatividade, o pensar;desprezam contribuições por não terem onde nem como acolhê-las. Conhecimentos se perdem aos montes porque as empresas ,em geral, não encontraram formas de fazer sua gestão.

Para  uma empresa gerar inovações, reorganizar a sua estrutura organizacional é condição “sine qua non” !

 

Download PDF

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

Deixe seu comentário