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COMO SÃO DEMONSTRADOS OS RESULTADOS DE SUA EMPRESA?

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Quando fui um dos “juízes” do PNQ-Prêmio Nacional da Qualidade, tempos atrás, aprendi a analisar as empresas pelos vários tipos de resultado que elas podem produzir: “Resultados Econômico-Financeiros,Resultados Relativos aos Clientes e ao Mercado,Resultados Relativos a Pessoas,Resultados Relativos a Fornecedores e Resultados de Processos de Apoio Organizacionais”.Poderíamos classificá-los de outras formas, incluindo,por exemplo,Resultados Relativos à Sociedade, Resultados Relativos ao Meio Ambiente etc.

A ideia do Balanço Social aportou por aqui nos anos 1970, havendo registros das primeiras publicações nos anos 1980. O IBASE/Betinho e o Instituto Ethos divulgaram modelos de Balanço  Social cujo foco era a Responsabilidade Social das empresas. De forma geral preconizava dados de Natureza Social e Ambiental, de Recursos Humanos, Demonstração de Valor Adicionado (valor da riqueza gerada pela empresa, geração e distribuição) e Interação com o Ambiente Externo. Tudo demonstrado por meio de um sistema de indicadores.

Pelo que sei, esse Balanço Social não se tornou obrigação legal para as empresas.

Corriqueiramente, quando se fala em resultados, vêm logo à cabeça as métricas econômico-financeiras: EBITDA, EBITA, Lucratividade, Margem de Lucro, ROI, Faturamento, Receita, Despesa, Nível de Endividamento etc etc. “O ano foi muito bom:nosso faturamento cresceu X%”; “o resultado desse ano vai ser fraco ,porque, em que pese termos crescido em faturamento,os custos operacionais ficaram muito altos”; “nossa meta para o próximo ano é crescermos 10%”.

Quando se fala que uma empresa é agressiva pelo seu foco em resultado,certamente se fala dos Resultados Econômico-Financeiros.

Não há dúvida de que sem esses resultados ,ainda mais em um sistema capitalista, uma empresa sucumbiria.Podemos até dizer que eles são garantia de obtenção dos outros resultados .Mas será que a recíproca não é verdadeira? Os outros resultados também não vão garantir a saúde financeira da organização?

Hoje uma empresa moderna e saudável trata seus  resultados de forma sistêmica. Qualquer desequilíbrio nesse Sistema pode ser fatal!

O QUE É CAUSA E O QUE É CONSEQUÊNCIA

Não faltam exemplos de empresas que tiveram  graves prejuízos financeiros ou foram à falência por  “maus resultados”  originados em partes não financeiras. Um desastre ambiental como o de Mariana-MG (pelo que tudo indica por negligência nos resultados relativos ao meio ambiente) impacta os demais resultados da empresa mineradora.Compromete imagem, negócios, pessoas e,naturalmente,os resultados econômico-financeiros.

As empresas envolvidas na corrupção pela “Lava Jato”, que se descuidaram dos resultados relativos a fornecedores,pessoas, processos de apoio,sociedade etc, colocando os resultados financeiros e conquista do mercado como foco principal, hoje veem estes resultados fortemente comprometidos,colocando sua sobrevivência em situação difícil.

Cases não faltam, demonstrando ( pelo princípio dos “vasos comunicantes”)que todos os RESULTADOS devem merecer igual atenção. Felizmente vai ficando longe o tempo em que a “filosofia” era: “Resultado (financeiro) a qualquer custo”.

Uma empresa saudável ,quando expõe seu balanço, deveria especificar, além dos resultados econômico-financeiros (também para cumprir exigência legal), outros resultados,adotando, de forma didática,  uma classificação que demonstre às “partes interessadas” –stakeholders (e não só aos acionistas) ações e conquistas nas suas diversas interações.Quantitativa e qualitativamente.Mais que contar “vantagens” de suas “filantropias e altruísmos”, o enfoque da empresa deveria ser sob a rubrica de RESULTADOS:  “reduzimos a zero a poluição causada por nossos altos fornos…”; “o índice de felicidade no trabalho evoluiu em X%”; “as reclamações dos clientes reduziram em Y%”; ” a aderência aos índices de compliance foi de 100%” etc etc.Isso tudo demonstrado em tabelas de evolução dos diversos indicadores criados e indicativos de providências previstas para curto,médio e longo prazos…e devidamente auditados.

Parecem-me envelhecidos os Relatórios sobre os Resultados das empresas cujos modelos são quase iguais para todas. Geralmente ao final entra um item sobre Recursos Humanos em que constam: número de funcionários treinados, funcionários atendidos do ambulatório médico(vangloriam-se do crescente volume de atendimento quando seria mais útil contarem os porquês da redução desse volume), investimentos em benefícios (refeições servidas,planos médicos etc) etc etc.Mais importante seria indicar ações (indicadores) que resultaram em melhoria da qualidade de vida no trabalho.

A rigor nem precisaria de obrigação legal para que se produzissem  Relatórios de Resultados,em que a empresa transmitisse verdade a todos os “públicos” . A transparência nos resultados deveria ser ponto de honra para diferenciar as empresas bem administradas.

 

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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