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“CAUSO” CORPORATIVO – ARTE E CULTURA PRA QUÊ ?

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ARTE E CULTURA PRA QUÊ ?

Como profissional de RH de três empresas sempre acreditei que os executivos e líderes organizacionais (gerentes, chefes e quetais) precisariam melhorar seu nível cultural, não só para aprimorarem os relacionamentos externos e internos mas também para adquirirem mais sensibilidade , visão ampla do mundo,refinamento e traquejo nos contatos,capacidade de melhorarem análises e juízos sobre as coisas etc etc. Imaginem ,então, nossos executivos em viagens internacionais de negócios tendo que jantar com empresários, CEO’s e outras personalidades, com inclusão de visitas a museus e monumentos históricos e apresentações artísticas do folclore local…

Muitos galgaram suas posições graças à capacidade técnica que não necessariamente lhes garantia uma visão mais amplificada até mesmo do seu mundo dos negócios.

Nas três empresas por que passei tratei de incluir no orçamento de desenvolvimento das pessoas uma parcela (mesmo que pequena,até para convencer os presidentes e gestores financeiros) dedicada a atividades culturais. Hoje,tenho a consciência ainda mais firme de que agi corretamente.

Criei há muitos anos em uma empresa um programa de seminários de curta duração (hotelado) para “altos executivos”. Não perdi tempo: à noite,após o jantar no Hotel, havia uma atividade (palestra ou dinâmica de grupo) cujos temas podiam variar entre Pintura, Música Erudita, História da Arte etc. Lembro-me de uma excelente apresentação do Maestro Diogo Pacheco situando a música clássica no contexto histórico. Outra feita ,com projeção de slides (era o que tínhamos na época), percorremos os grandes museus do mundo e as diversas fases da Pintura e Escultura.

Na Serasa Experian, última empresa na qual fui Diretor, criamos um programa de palestras (ligado à  Educação Corporativa)  por onde passaram nada mais nada menos que Nélida Piñon, Ariano Suassuna, Leandro Karnal, Luis Felipe Pondé, Maestro João Carlos Martins, Maestro Júlio Medaglia e outros nomes das Artes.Foi um sucesso!

Embora me incomodassem um pouco, consegui levar numa boa as opiniões daqueles que não entendiam o porquê dessas atividades e jogavam a avaliação para baixo . Hoje ,como Piaf“je ne regrette rien”. Esses críticos só fortaleciam minha tese de que o nível precisava mesmo melhorar. Além disso, era aquela minoria, 0,5 a 3%, que aparece totalmente insatisfeita em toda pesquisa de satisfação.

Nas organizações, como na própria vida, as pessoas não querem só comida:
“a gente quer comida, diversão e arte”.

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

4 comentários

  1. de fato: falta cultura para aqueles que só enxergam tecnicidades e, no limite, apenas entendem de cultura corporativa. ótimo texto! sempre aprendo…

  2. Falando como um mero estudante de administração de empresas aos 23 anos, e necessitando respirar mais cultura e arte, reconheço de alguma maneira que o mundo está muito mais além das tecnicidades estudadas em cursos de gestão. Só quem sabe apreciar verdadeiramente uma arte (ou tenta fazê – lo da melhor maneira possivel), tem o privilégio de sentir o intangível. E como diria o grande Rainer Maria Rilke, quando se referia às obras de arte, “…seres misteriosos cuja vida perdura ao lado da nossa, efêmera.”
    E hoje, tendo a oportunidade de morar na capital Paulista, que é rodeada deste mundo capitalista e empresarial, espero poder usufruir um pouco mais de conhecimento sobre música, teatro, etc.
    Em “O homem e as viagens” Carlos Drummond de Andrade crítica à nossa existência dizendo: “Homem, bicho da terra tão pequeno, chateia – se na terra, lugar de muita miséria e pouca diversão…”, e parafraseando com a citação de Milton Luis e com o grande poeta mineiro, tenho esperança que de fato o mundo tenha mais emprego, diversão e arte e que saibamos ver a beleza além dos escritorios.
    E particularmente posso dizer, “… Como é bom poder tocar um instrumento.”

  3. Apenas um complemento: Presto elogios ao meu querido tio Milton, que sempre nos enriquece com seu senso crítico e conhecimenso amplo da nossa cultura brasileira. Assim como disse o João Milton, aprendo todos os dias com ele.

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