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A TAL SUSTENTABILIDADE E A MÁ GESTÃO

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Triple Bottom LineLEAD

Um conceito não bem compreendido pode integrar o repertório de jargões de uma empresa para que ela se mostre atualizada e antenada com conceitos “politicamente corretos”. De repente todo mundo passa a apropriar-se do “termo” em reuniões internas e palestras , tentando projetar imagem de uma organização moderna e consciente. No limite, criam-se até departamentos para cuidar do “assunto”.

Ressalto a tal de SUSTENTABILIDADE , que passou a andar na algibeira de políticos, empresários, sindicalistas, ambientalistas e executivos como “curinga” para justificar teses e argumentações.

SUSTENTABILIDADE econômica e política, sustentabilidade física e emocional, sustentabilidade hídrica,sustentabilidade familiar, etc etc…há sustentabilidade para todo gosto ,podendo ser aplicada em qualquer contexto.

Com o tempo isso pode parecer “modismo”, gerando até certa aversão ao seu uso e prática. Tudo porque seu significado não foi adequadamente compreendido.

SUSTENTABILIDADE ALÉM DOS DICIONÁRIOS

Para o AURÉLIO, sustentabilidade é apenas “qualidade de sustentável” que, por sua vez, é o “que se pode sustentar”. E aí vêm os significados de “sustentar”, que todos conhecem.

O termo, no entanto, saiu dos clássicos dicionários para fazer parte de “glossário” técnico ligado a questões ambientais, sendo ampliado para questões sociais e econômicas.

Passa a ser “bem empregado” quando leva em consideração o chamado “triple bottom line”, o “tripé da sustentabilidade”, que , há quinze anos, foi proposto pelo sociólogo e consultor britânico John Elkington. Também conhecido como “3 Ps “People,Planet, and Profit -, segundo ele ,uma sociedade (comunidade, organização ou negócio) só se sustenta no tempo (perenidade) se for socialmente justa, ambientalmente responsável e financeiramente viável.

PESSOAS, AMBIENTE E FINANÇAS, IGUALMENTE IMPORTANTES

Não há ,pelo conceito,uma parte mais importante que a outra. Elas se completam. Devem “caminhar juntas”, merecendo atenção por igual por parte de todos : população,políticos,governantes, empresários, instituições, empresas etc. O comprometimento de uma parte afeta as demais.

Esse “sistema” é que vai garantir a perenidade de qualquer empreendimento. Se uma parte for deixada de lado, o negócio poderá trazer a ilusão de resultados somente no curto prazo.

Tendo a considerar ,como Consultor de Pessoas, ex-executivo de Desenvolvimento Humano,que a parte “PESSOAS” tem supremacia sobre as demais,dado que as outras dependem intrinsecamente desta. Quem deve cuidar do planeta, da natureza? Pessoas. Quem deve zelar pela saúde financeira de um negócio? Pessoas.

O APRENDIZADO COM A PETROBRÁS, MARIANA E OUTROS “DESASTRES”

Exemplos de “insustentabilidades” não faltam. Empresas vão à falência por descuidos,às vezes, em apenas uma das partes do “tripé”. Demitem sem critérios,perdem talentos, perdem credibilidade,os resultados são afetados.Governos lançam projetos eleitoreiros, sem qualquer “base sustentável” , deixando “heranças” para os sucessores. Um prefeito “maluco” gasta verba em empreendimento que,em um primeiro momento impressiona,mas que depois se mostra inviável economicamente. Um programa de inclusão social deve considerar sua sustentabilidade para que não sofra retrocessos. E vai por aí afora.

Exemplos emblemáticos temos visto hoje. A “Operação Lava Jato” mostra uma série de empresas (ligadas à corrupção) correndo o risco de sucumbirem por atitudes antiéticas (Parte Social). A própria Petrobrás com os desmandos comprovados entre vários de seus executivos tem hoje sua situação econômica dificílima.

O que o “desastre de Mariana” nos ensina? O que temos lido é que a Samarco e suas empresas controladoras terão que gastar uma “fábula” para ressarcir as comunidades afetadas pelo rompimento das barragens.O descuido sobre a “parte ambiental” afetará sem dúvida a “parte econômica” e a “social” da empresa, abrindo feridas incicatrizáveis no ecossistema afetado.

Hoje, empresas bem administradas e conscientes de seu papel na sociedade (isso deveria valer também para governos e instituições públicas) mantêm,além de outros eficazes mecanismos de gestão, instrumentos para controle de riscos e estrutura de “compliance” justamente para garantir a SUSTENTABILIDADE de seu negócio. Notem o estrago na imagem daquelas empresas citadas nos atuais desastres. Não dá mais para administrar de verdade, considerando só o fator econômico. Uma empresa tem que olhar as comunidades que a cercam, o ambiente em que se insere Tem que ser socialmente justa.Não descartar PESSOAS como se descartam objetos.Tem que criar ambiente interno saudável. Só assim terá a SUSTENTABILIDADE, que lhe vai garantir PERENIDADE.

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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