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A SUSTENTABILIDADE DA GESTÃO

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Empresas bem administradasLEAD

O termo SUSTENTABILIDADE surge no glossário das organizações para referir-se especialmente a questões ambientais relacionadas à saúde do nosso planeta. Procura-se com isso incutir nas empresas o senso de responsabilidade que elas devem ter para com o meio ambiente.

Em sentido mais amplo, SUSTENTABILIDADE diz respeito àquilo que deve perdurar, que se mantém no tempo, que dura,que não é efêmero.

Quero aplicá-lo agora à GESTÃO, cujas estratégias devem ser sustentadas no tempo, ter a propriedade de permitir continuidade de ações e de fazer sentido ao planejamento de médio e longo prazos. Uma GESTÃO SUSTENTÁVEL deve produzir resultados lastreados por uma eficiente gestão econômico-financeira, com responsabilidade ambiental ,ética e profundo respeito às pessoas, razão maior de todo sistema empresarial/capitalista.

GESTÃO INSUSTENTÁVEL

Fica muito difícil produzir esses resultados em empresas que

  • agem fora de padrões éticos
  • não têm planejamento de médio e longo prazos
  • não inovam
  • não têm continuidade de administração
  • não têm programas de controle (governança,compliance etc)
  • não têm GESTÃO DE PESSOAS no foco estratégico

Com raras exceções, administração pública e empresas estatais sofrem de quase todos esses”males”. Prefeituras , governos estaduais e federal além das estatais preenchem os mais altos cargos de uma forma geral por critérios meramente políticos,sem muito exame das competências necessárias.São comuns mudanças em diretorias e gerências toda vez que interesses políticos prevalecem. Vocês hão de convir que isso afeta a continuidade dos planejamentos e ações em curso. Nem sempre pessoas competentes e preparadas para comandar negócios complexos assumem posições estratégicas . Imagino (porque nunca trabalhei nessas “organizações”) que deve ser difícil e frustrante para os profissionais concursados e tecnicamente competentes terem que ser liderados por pessoas indicadas sem qualquer afinidade com a administração do negócio. Não falo de corrupção. Isso não é meu foco.Trato de GESTÃO ,embora seja impossível não incluir entre seus fatores de sucesso a ÉTICA. A falta dela,como é fácil constatar hoje,pode levar empresas a sérios problemas de sobrevivência.

É claro que inovar é sempre fundamental para a sobrevivência da empresa.Sua competitividade depende cada vez mais de INOVAÇÃO. Inovar,contudo,não significa descontinuar a gestão nem abolir ações de planejamento em curso. Correções de rumo,substituição de tecnologias, troca de métodos e sistemas de gestão,novos negócios,novos produtos e até implantação de uma nova filosofia de gestão,tudo pode e deve ser abrangido por um planejamento estratégico ativo,dinâmico. Pode tornar-se uma grande irresponsabilidade “inventar coisas” não suportadas,entre outros, por um bom plano de ação que envolve investimentos,poupança, aporte financeiro,previsão de retornos e impactos nos resultados presentes e futuros da empresa.

Imaginem desenvolver novos produtos, aumentar gastos sem provisão de receitas,investir em aquisições,endividar-se, sem qualquer estudo de viabilidade econômico-financeira.Isso vale também tanto para o planejamento familiar como para um pequeno empreendimento. Exemplo simples:resolvo dar um carro para cada filho,financio as aquisições e não levo em consideração os impactos nas despesas e dívidas da casa. O que acontece? Em um primeiro momento os filhos ficam felizes.Depois, com os apertos necessários (redução de status,venda dos carros) , virão a desilusão e o descontentamento. A “gestão familiar” ficou insustentável.

GOVERNANÇA E CONTROLE

A empresa ,para sobreviver ,crescer e perpetuar, precisa hoje, mais que nunca, ter um excelente sistema de GOVERNANÇA, que,com transparência, passe credibilidade ao mercado . Terá crédito, fortalecerá a marca e será preferida e não preterida em licitações. A GOVERNANÇA implica não só enxutas e eficazes estruturas diretivas (conselhos com efetiva participação na gestão e diretoria), mas também , agindo com independência, órgãos de “compliance” e auditorias interna e externa.Ferramentas de controle, avaliação e desempenho são essenciais  para acompanhamento periódico dos resultados.

Com tudo isso, muitas empresas ainda sucumbem.Imaginem sem isso. A GOVERNANÇA, funcionando bem, inibirá práticas de corrupção. Garantirá a SUSTENTABILIDADE DA GESTÃO.

É incomum nas empresas bem administradas a troca frequente de seus quadros executivos.A sucessão é bem planejada justamente para garantir a continuidade da gestão e o fortalecimento da cultura organizacional. Outro fator importante é a MERITOCRACIA que premia os mais competentes e de melhores desempenhos para ocupação das vagas nesse processo sucessório bem arquitetado.

PESSOAS SUSTENTAM A GESTÃO

As melhores empresas hoje têm consciência clara da importância das PESSOAS para a SUSTENTABILIDADE DA GESTÃO. Nos seus “balanços” constam não somente resultados econômico-financeiros mas também resultados para as Pessoas, para a Sociedade e para o Meio Ambiente. O presidente da empresa ELEKTRO, Márcio Fernandes,eleito pela Revista VOCÊ SA “Líder Mais Admirado do País” escreveu o livro “Felicidade dá Lucro”.Sua empresa é listada entre as “melhores para se trabalhar” há vários anos. Hoje é senso comum para as grandes e bem sucedidas empresas que a GESTÃO DE PESSOAS deve ter tratamento estratégico, deixando de ser simples “recursos ” humanos, descartáveis como materiais,máquinas, equipamentos. “Matérias” como felicidade no trabalho, desenvolvimento de liderança e cultura organizacional já entraram no “currículo” das melhores empresas.

PESSOAS integram as “medidas” de eficácia organizacional, de onde decorrem as “medidas” financeiras ,econômicas e contábeis. A competência de uma empresa,que a fará perpetuar-se, depende essencialmente das competências de seus quadros. E as PESSOAS trabalharão mais e melhor se estiverem felizes e se virem “significado” em seus trabalhos assim como oportunidades de  desenvolvimento.

Organizações de qualquer natureza deveriam mirar-se nos bons exemplos das empresas privadas. Mesmo sem fins lucrativos, qualquer organização deve ter objetivos e resultados a alcançar. Não imagino uma prefeitura,uma autarquia, ou uma secretaria de governo, por exemplo,que não busquem resultados,ou que não os tenham planejado. Não dá para “viver” sem almejar resultados. A família planeja-se para que os filhos tenham,por exemplo ,a melhor educação que lhes propicie a conclusão de cursos superiores. E resultados  se obtêm a partir de uma GESTÃO SUSTENTÁVEL, responsável, apoiada em planejamento de médio e longo prazos, inovação,governança e -fundamental- Ética e Gestão de Pessoas.

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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