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A REVOLUÇÃO DOS PUFFS

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Passei algum tempo sem publicar textos . Aproveitei para ler bastante antes de escrever minhas “besteiras”. Há muitos escritores brilhantes,consultores,executivos, filósofos até, que publicam ótimos textos, aplicáveis aos ambientes corporativos nessa época em que se fala tanto em mundo digital, indústria 4.0, inovação desenfreada,tecnologias sem fronteiras,novas profissões etc etc..

Tenho lido também sobre depressão e stress no trabalho(hoje a quinta causa de morte nos Estados Unidos), burnout, suicídios de jovens e tanta coisa ruim que pode produzir o trabalho,quando não se cuida do ambiente corporativo, onde a concorrência é brutal,a pressão por resultados é diária e a ameaça de demissão está sempre presente,pois a redução de custos pelo corte no headcount é a fórmula mais usual,de comprovada eficácia no curto prazo.

Por outro lado,vejo áreas de RH inovando, buscando as mais recentes novidades que as novas tecnologias disponibilizam. Surgem métodos mais eficazes de recrutamento e seleção,de identificação e desenvolvimento de talentos, avançadas técnicas de treinamento e assim por diante.A questão da diversidade parece mesmo que tem tido o merecido sucesso nas mais distintas organizações.

Além disso,pelo menos no discurso, incorporam a necessidade de se atribuir propósito, significado ao trabalho, e garantir que a felicidade reine no ambiente da empresa. Por ser “segredo de estado” ou por minha ignorância,não  tenho conhecimento de modelos práticos de transformação cultural em que a empresa introduza de fato essas “novidades” no seu ambiente. Poderia mesmo ser uma boa  para combater o tal burnout, a depressão e todos os males que acometem as pessoas ,muitas vezes causados pelo “sofrimento” do “tripalium” (do trabalho como “tortura”,sem significado ou propósito).

Salvo os alérgicos,todos gostam de usar perfumes. As essências não são essenciais,mas (quando de boa qualidade)contribuem com um “plus” no relacionamento entre pessoas. Mal comparando,algumas empresas vêm tratando a sua “perfumaria” com esmero, “enfeitando” o ambiente de trabalho , transformando os layouts em locais aconchegantes, com redes para “repouso dos guerreiros”, mesas de pebolim e sinuca, jogos eletrônicos e uma infinidade de puffs coloridos,que substituem as velhas cadeiras para rodadas descontraídas de reuniões. Para adequar-se a esse ambiente despojado, é mister que os funcionários possam apresentar-se ao trabalho como lhes apraz, trajando bermudas, calças jeans ,coloridas ou não, rotas ou não, como dita a moda jovem de hoje, referendada pelo então atualizado dress code empresarial.

Salvo os excessos, muita coisa pode ajudar a minimizar em alguns jovens o tal peso do “tripalium”. O que não se pode acreditar é que “essa perfumaria” por si só resolva os males advindos da pressão que gera depressão, da infelicidade no trabalho sem propósito. Esses “fatores exógenos” aos poucos vão incorporar-se à rotina e passam a não ter mais a significância obtida da implantação,quando eram novidade.

A transformação necessária que pode causar mudança “endógena” na vida dos trabalhadores tem que originar-se em verdadeira e genuína transformação cultural nas empresas, sensibilizando todas as suas lideranças (desde o CEO, diretores executivos e líderes em geral). Não basta refletir somente desejos do RH, que viu certas coisas funcionarem em outras empresas. Fico curioso em saber se o Financeiro,por exemplo, homem forte ,preocupado entre outras coisas com os custos da empresa, está imbuído da transformação necessária para melhorar a motivação interna e a felicidade no ambiente de trabalho.

Não acho fácil promover real transformação cultural numa empresa que tem história (de sucesso principalmente), cujas convicções de seus “comandantes”se alicerçam em crenças e valores há muito incorporados. Em empresas de grande porte,mais difícil ainda. Está cada vez mais claro,porém,que as organizações vão diferenciar-se para sobreviverem com sucesso nesse novo mercado por meio de políticas e práticas “revolucionárias” voltadas para as pessoas.Isso que já vinha sendo falado há um bom tempo hoje é verdade cristalina. Cobram-se das empresas: inovação contínua por meio de uma gestão eficaz de jovens talentos,que inclui políticas de retenção e desenvolvimento; cultura ,valores e práticas, capazes de criar coesão entre todos os líderes ; ambiente agradável, desafiador , que dê sentido ao trabalho; programas efetivos de qualidade de vida e de cidadania empresarial, que incorporem a ética, como fundamento principal, e práticas de compliance.

É hora sim de “colorir” os ambientes corporativos, mas que não se restrinjam aos puffs ,bonitinhos ,mas,pelo menos para mim, nada confortáveis nem ergonômicos (como se dizia antigamente).A transformação cultural , ao alcance de todos, é que dará “cores” definitivas à necessária e urgente “nova gestão de pessoas”.

 

 

 

 

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Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.