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A propósito da comunicação na empresa

1 – UMA MENSAGEM … A QUEM POSSA INTERESSAR

Aqui vai mais um “causo” real da época dos MEMORANDOS internos. Um “gerente” manda uma comunicação para toda a empresa. No memorando que cada um recebeu, constava a imensa lista de todos os departamentos copiados. Quatro páginas , citando um a um;só na primeira página, a mensagem.

Como todo memorando que se preza, havia um campo para o ASSUNTO (nada diferente dos e-mails de hoje). E o ASSUNTO era:” Unificação dos Ambientes GA81 e GB81 e Migração do Sistema VM/SP  HPO para VM/XA  SP”

Se o assunto não ficou muito claro para muitos dos Departamentos copiados, quem sabe o texto da mensagem vai esclarecer.

“O Sistema VM/SP HPO rel. 4.2 está instalado no computador 3084-A, particionado fisicamente em dois 3081 (GAB1/GB81 na localidade X)…” 

E por aí vai texto, “explicando”( !?) o que estava no ASSUNTO. Em outro parágrafo, para esclarecer melhor (!?): “O novo ambiente será identificado por GB81 e a palavra de logon VMGB81. O Sistema Operacional será o VM/XA SP que possui uma série de vantagens que serão divulgadas através do Sistema WNNEWS.” Será que agora ficou mais claro?

O memorando ainda acrescenta dois anexos de teor semelhante. O órgão emissor deve ter ficado satisfeito e orgulhoso de emitir comunicado de “riquíssimo conteúdo”. Os receptores da mensagem certamente transferiram para as secretárias a decisão: ARQUIVAR ou DESTRUIR! (Observação: na época não se usava o verbo DELETAR).

2 – SERÁ QUE O PAPEL ACEITA TUDO?

Esse MEMORANDO é dos mais “inusitados” para não dizer  “escabrosos” que tenho em meus arquivos. Falaram para um gerente de colônia de férias que ele deveria narrar “ocorrências dignas de relato”. Talvez não lhe explicaram o que é “ocorrência digna de relato” nem a forma como se põem num papel certos fatos. Vejam o que ele escreveu em um memorando a seu chefe, a partir de fatos ocorridos na colônia:

” Notificamos que o hóspede fulano de tal está coma a uretra blenorrágica. Já providenciamos a ele um tratamento diferenciado, mas, infelizmente, tivemos que alertar seus colegas sobre a doença. Temos também o sr sicrano de tal que provavelmente seja pneumônico , já que contraiu pneumonia duas vezes e a terceira se manifestou (hoje) positivamente. O casal fulano (casado) e fulana(casada), tudo leva a crer que estão com sentimento mais afetuoso, predispostos a desejar o que é de outrem, pois estão sempre juntos, às vezes agarradinhos um ao outro; evidentemente que estas ocorrências são fora das atividades organizadas. Esperamos que nada de concreto ainda existiu e que tudo seja apenas fogo de palha.”

Acreditem: mantive o texto intacto, só omitindo nomes dos circunstantes “arrolados” ( ou seria “enrolados”?) pelo gerente (observador arguto e bom em diagnósticos de toda espécie).

Milton Pereira

Há mais de 30 anos como executivo de grandes empresas, hoje atua como Consultor em Liderança, Comunicação e Educação Corporativa.

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